Telefonema

13:55

Seu celular começou a tocar ao lado de sua cama. Ela estava ali deitada o dia inteiro. Não que estivesse com sono, mas precisava estar ali. Achava que dormir faria aquela dor cessar um pouco, talvez dormir afastasse aqueles pensamentos desagradáveis. As lembranças a atormentavam. Procurou com esforço o aparelho e o nome na tela fez seu coração doer de novo. “Hora de ser forte”, ela disse a si mesma.
― Oi ― Ela murmurou.
― Decidiu me atender hoje? ― ele brincou. Ela não respondeu, sentir aquela dor aguda não a ajudava. ― Como você está?
― Por que você está me ligando? Você também não atendeu quando eu te ligava.
Ele permaneceu em silêncio por um tempo antes de achar as palavras.
― Eu achava que se te ignorasse como você tentava fazer comigo, seria mais fácil.
― E por que está me ligando agora? ― Aquelas lágrimas ameaçavam voltar aos seus olhos, engoliu com força.
― Porque… ― ele parou. Suspirou. ― Não tem um porquê.
O silêncio voltou a gritar.
― Sinto sua falta ― os dois disseram juntos.
― Volta pra mim? ― ele pediu com um sorriso.
― Não ― Ela respondeu com as lágrimas rolando pelo seu rosto. ― Digo, não sei. Dói demais. ― ela fungou.
― Mas dói ficar longe de você… ― ele apertou o telefone.
― Eu sei, como sei…  ― ela se encolheu debaixo dos cobertores procurando conforto.
O silêncio voltou. Ambos machucados com aquelas palavras. Ambos queriam estar juntos.
― Você está deitada na cama não está? ― ele perguntou de repente. Ela não respondeu, onde ele queria chegar com aquilo? ― Detesto saber que você está assim, sozinha.
― Queria que eu estivesse com alguém?
― Sim ― ele disse. ― Comigo.
― Isso é meio impossível. Não só pela distância…
― Vamos dar um jeito nisso?
― O que quer dizer?
― Não vou mais te deixar sozinha e sei que você também não quer mais isso. E não quero mais te ver chorando, ainda mais por mim.
― É fácil falar ― ela murmurou e fungou novamente. Que droga, as lágrimas não paravam mais de cair. 
― Para de ser teimosa.
― Para de ser insistente ― ela riu involuntariamente.
― Viu, fiz você rir ― ele sorriu do outro lado da linha. ― Não vou mais te deixar sozinha, quero ver minha teimosa rir mais vezes por minha causa.
― Idiota. ― ela sorriu.

― Sou um idiota mesmo. Mas um idiota que trouxe pizza, então abre logo essa porta.

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