No topo do meu mundo

11:00


É engraçado voltar para o exato lugar em que você esteve há algum tempo e ver como tanta coisa mudou, como você mudou. Irrevogavelmente. E é melhor ainda quando você pode olhar pra trás com um baita sorriso no rosto. E que sorriso... É tão gostoso ter o prazer voltar um pouco a memória e poder parar para refletir sobre todas as escolhas que você fez num intervalo de tempo.
Vivo refletindo sobre as coisas, faz parte desse meu jeito meio nostálgico, meio emotivo de ver e viver a vida. Às vezes preciso me frear de tantos pensamentos, me obrigar a olhar para o agora e parar de comparar e planejar. Mas, de vez em quando, me permito parar um pouco no tempo e mergulhar em lembranças que vivem ecoando na minha mente.
Acredito muito que nossas escolhas não nos definem completamente, mas dizem um bocado a respeito de nós. Afinal, no fim da vida, somos aquilo que escolhemos fazer até chegar ali e o que vivemos para tal. E às vezes é assustador pensar assim.
Sabe quando você encontra um lugar que te marca de tal forma que te faz sentir incrível pensando sobre cada escolha que te levou até ali? Por isso adoro viajar, adoro carimbar lugares na mente, criar lembranças que vão me pegar desprevenida numa tarde de domingo. E é melhor ainda quando voltamos naquele mesmo lugar algum tempo depois e percebemos quanta coisa mudou. Quando piso no mesmo chão que pisei há algum tempo e olho para a mesma paisagem que apreciei, tenho vontade de colocar a mão no ombro da pessoa que fui e dar uns tapinhas. “Você não faz ideia do que a vida tem guardada pra você”, morro de vontade de dizer.
Vivo repetindo para mim mesma que tentar voltar no tempo não muda em nada o nosso futuro. Tento nunca me arrepender de nenhuma escolha, são elas que me tornam um pouco do que sou, foram elas que me trouxeram até onde estou. E voltar ao mesmo lugar com novas lembranças, novos aprendizados e novos sorrisos é uma daquelas sensações impagáveis e simplesmente inexplicáveis.
Recentemente voltei a um dos lugares mais incríveis que já estive. O assombro de olhar para todas aquelas luzes e sentir como se o mundo estivesse acontecendo debaixo dos meus pés me surpreendeu como se fosse a primeira vez. Mas eu sabia que não era e isso foi tão incrível quanto a vista em si. O mundo pareceu parar de rodar exatamente como da primeira vez que senti aquela brisa gélida acariciar minhas bochechas e jogar meu cabelo para trás, mas eu era uma pessoa completamente diferente e sabia disso.
Lembro que meus olhos se encheram de lágrimas daquela vez. Eram lágrimas de felicidade, nostalgia, solidão, independência, tudo misturado de uma forma confusa e maravilhosa. Dessa vez meus olhos se encheram de lágrimas de novo. E eu deixei que caíssem. Eram lágrimas de alegria, de surpresa, de orgulho. E de um sentimento que não conseguiria nomear nem se quisesse.
Exatamente um ano depois, voltei para o lugar que significou um ponto decisivo para mim. O ponto de virada para a pessoa que eu fui. Olhando para todos aqueles pontinhos luminosos de cima daquele prédio grandioso, eu olhei para mim mesma alguns meses antes. Olhei para as escolhas que fiz, para as pessoas que conheci, para os momentos que vivi e para tudo o que me aconteceu depois que pus os pés no chão de novo. Percebi que tudo o que se sucedeu, aconteceu por causa daquele momento, daquela epifania que tive quase 365 dias atrás. E senti orgulho. Me senti contente. E feliz, muito feliz.
Antes de descer dali pensei que mal posso esperar para voltar àquele lugar de novo. Enquanto da primeira vez eu olhava para o passado, naquele momento eu também ansiava pelo futuro. Daria tudo para conhecer a pessoa que olharia para trás e me veria parada ali. Porque ela com toda certeza é uma estranha que vai me reconhecer de um jeito ou de outro. “Será que alguém vai colocar os braços ao redor do meu corpo enquanto aprecia a vista também? Será que vou voltar sozinha por algum motivo qualquer?”, foram algumas das perguntas que me fiz. E mal posso esperar para descobrir essas e outras respostas que só o tempo dirá.
Naquele momento, parece que a vida fez um pouquinho mais de sentido, parece que o destino me sorriu de novo. E eu lhe sorri de volta.

*Para fins de direitos autorais, declaro que as imagens utilizadas neste post não pertencem ao blog. Qualquer problema ou reclamação quanto aos direitos de imagem podem ser feitas diretamente com nosso contato. Atenderemos prontamente. Fonte: Pinteres.

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5 comentários

  1. Que texto sensacional, Laura! Espero que você volte logo pra lá, deve ser um sonho.
    "Vivo refletindo sobre as coisas, faz parte desse meu jeito meio nostálgico, meio emotivo de ver e viver a vida." EU EU EU, ahahahah.

    Beijos || Quebrar o Silêncio

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