Resenha: O Idiota

by - 20:10


Dostoiévski é conhecido por seus enredos estruturados e escrita complexa e, como ainda não li nenhuma obra do autor, pensei que essa edição de O Idiota fosse um bom jeito de começar a me aventurar nos livros do autor. Uma HQ adaptando um dos clássicos de Dostoiévski para os quadrinhos parece uma boa ideia, certo?

Quer saber o que eu achei do livro? Então confira a resenha de O Idiota:

"Em preto e branco, e num registro quase sem palavras, André Diniz propõe uma recriação surpreendente de O idiota, obra máxima de Fiódor Dostoiévski. Publicado em 1869 e escrito em meio a crises epilépticas e perturbações nervosas e sob a pressão de severas dívidas de jogo, o romance é um dos mais célebres da literatura mundial. Sua oralidade intensa encontra na explosão e na fluidez, na ternura e na enorme capacidade expressiva do traço de Diniz, uma correspondência única.
A história é conhecida: após anos internado num sanatório suíço para tratar sua epilepsia, o jovem Míchkin retorna à Rússia e se vê envolvido num triângulo amoroso cujos ares folhetinescos darão o tom desta adaptação. Entre a vilania de Rogójin, um devasso perdulário que dilapida a fortuna herdada de seu pai, e a beleza arrebatadora de Nastácia Filíppovna, acompanharemos Míchkin e sua pureza quixotesca até o desenlace desta bela e trágica graphic novel."




FICHA TÉCNICA

Título: O Idiota
Autor: André Diniz
Ano: 2018
Páginas: 416
Idioma: Português 
Editora: Quadrinhos na Cia (Companhia das Letras)
Nota: 3/5
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O Idiota é uma HQ diferente de tudo o que eu já vi. Além de ser toda em preto e branco, não devem existir mais de dez palavras ao longo de todas as 416 páginas. Dostoiévski é muito conhecido e reconhecido por seus enredos complexos e extensos, então se deparar com uma adaptação de uma de suas histórias mais conhecidas sem nenhum diálogo é, no mínimo, curioso.

A falta de palavras incomoda. O propósito me parece ser justamente tirar o leitor do lugar comum e fazer com que ele precise mastigar e digerir cada quadrinho, assim como os livros de Dostoiévski exigem um certo grau de maturidade para serem lidos. Mas pelo fato de a história ter sua complexidade intrínseca, uma contribuição da narrativa extensa do autor, a falta de palavras gera um incômodo difícil de ser ignorado.


O traço de André Diniz também contribui para o desconforto do leitor. Os traços são fortes, quase grosseiros, e combinam perfeitamente com o tom da história. É um traço que exige atenção uma vez que não é nem um pouco realista, ou seja, não é uma daquelas HQs que basta simplesmente olhar brevemente para o desenho para entendê-lo por completo. André Diniz criou uma arte que exige do leitor paciência e disposição para absorver suas sutilezas, por mais simples que o desenho pareça à primeira vista. É uma HQ que incomoda, que tira da zona de conforto.

Além disso, a narrativa não é linear e isso atrapalha muito o ritmo de leitura dos quadrinhos. Como não existem divisões para separar momentos na narrativa, momentos de flashback, por exemplo, fica tudo mais confuso. Os quadrinhos com traços mais grossos, sem cores e seguindo esse estilo narrativo fizeram com que, pra mim, a leitura não fosse muito prazerosa, não é um quadrinho para ler e se divertir, ainda mais se o leitor ainda não tem o hábito de ler HQs com muita frequência. Os quadrinhos, apesar de parecerem bem simples e quase minimalistas, exigem um pouco mais de atenção para sua interpretação uma vez que praticamente não existem diálogos.

O fato de não ter diálogos me pareceu uma estratégia narrativa bem interessante, gosto de iniciativas diferentes que propõem novas formas de conhecer uma história clássica, mas O Idiota não conseguiu me cativar com esse recurso.


Me peguei tentando arduamente gostar, mas não consegui. Talvez porque não seja meu estilo de narrativa nem de traço, mas não consegui me sentir fisgada pelo livro. André Diniz é um artista muito capaz e seu trabalho reflete sua capacidade criativa, mas infelizmente O Idiota não me encantou.

Entretanto, a Quadrinhos na Cia vem se superando e a edição de O Idiota é um bom exemplo. As folhas brancas não prejudicam a leitura, pelo contrário, realçam os traços de André e contrastam com os personagens bem caricatos e definidos. Além disso, a capa também chama bastante atenção e completa uma edição muito bem elaborada.


Acredito que seja uma HQ excelente para fãs de Dostoiévski que procuram braços de sua narrativa de formas diferentes e inusitadas. Fãs de HQs mais densas e histórias um pouco mais elaboradas também podem encontrar um bom livro e uma boa história para mergulhar em O Idiota. Infelizmente não posso me incluir nessa parcela, por enquanto. Talvez, após ler os originais de Dostoiévski eu me sinta mais cativada por essa adaptação.

Gostou da resenha e quer conferir uma dica de HQ incrível? Então conheça a história de Nimona!



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1 comentários

  1. Olá! Apesar de nunca ter lido Dostoiévski, acredito que releituras bem feitas são um bom começo, porque apresenta a obra de maneira mais leve, e pra quem não tem intimidade com a obra original, eu acho um bom jeito de conhecer. Gostei da maneira que o autor usa a metáfora de cada escritor ser uma droga diferente, e que uma vez que a pessoa usa acaba viciando. achei super legal. Obrigada pela resenha!

    Bjoxx

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